“Sábado à noite. Em São Paulo, todos saem para a balada. Esta, é a nossa balada”.
Foi isso que o vocalista da banda irlandesa U2 disse para mim e para as outras 90 mil pessoas reunidas no estádio Morumbi no último sábado. No dia 9 de abril, eu estava lá, pela segunda vez, no show de uma das bandas mais renomadas dos últimos 30 anos. Eu não achei que poderia ser possível, mas essa experiência conseguiu ser melhor que a primeira – que já tinha sido incrível.
Sobre a parte técnica: já havia lido sobre a estrutura do show, mas não imaginei que seria tão grandioso. O palco fica dentro de uma espécie de “aranha mecânica”, onde pontes móveis foram usadas para que o grupo pudesse se aproximar do público.
A produção também foi ótima. As luzes e os efeitos especiais no telão de cerca de40 metrosfaziam juz à música “City of Blinding Lights” e encantaram a platéia inteira.
Mas, é claro, que o que realmente apimentou o show foi o Bono Vox. O carisma do cantor trazia mais proximidade entre o palco e a platéia. E a proximidade inclusive foi tátil quando o artista chamou uma menina da pista para subir no palco – uma atitude que já se tornou marca registrada dos shows do grupo.
Outra característica marcante dos shows da banda irlandesa é a abordagem de causas sociais. Foi feita referência ao conflito na Líbia e à Aung San Suu Ky Met, política de Bruma e Nobel da Paz que ficou quase duas décadas encarcerada. Depois, foi mostrado um video de um discurso do religioso sul-africano Desmond Tutu, que puxou o sucesso “One”.
Finalmente, falou do Brasil. Falou do seu encontro com a presidente Dilma, destacando o plano de governo da presidente em combater a pobreza. Bono disse que apesar dos problemas no nosso país, fica muito feliz com sua relação de amizade com o Brasil. Como “grand finalle”, o cantor pediu que todas as luzes fossem desligadas e que o público acendesse seus isqueiros e as luzes dos seus celulares. Ele dedicou este último momento do show às vítimas na tragédia em Realengo, com a música “Moment of surrender “. Enquanto o nome das crianças passava no telão, o estádio inteiro cantava em suas homenagens.
A banda então agradeceu pela noite e se retirou. Mas o agito não parou por aí: mesmo depois de o palco ter esvaziado, a platéia continuou cantando.
Eu queria falar mais sobre o show. Eu queria falar de cada detalhe, cada música, cada palavra. Mas tudo que eu sei é que eu estava lá e foi ótimo, foi maravilhoso e foi, como Bono Vox mesmo disse, uma verdadeira balada. Digo, muito mais que uma balada. O U2 fez do show um espetáculo, só porque mostrou seu talento na frente de alguns milhares de pessoas. É claro que o cenário e a produção ajudaram. Mas o que realmente fez a festa não foi isso, e sim reunir um monte de gente de tudo quanto é jeito e sintonizar todo mundo na mesma incrível vibração.
— Paula Cé Martins
