Um relato pessoal. Uma rica história pobremente descrita. Uma segunda que se inicia de modo intenso e diferente…
Caminhava pela PUC, junto a 2 amigas quando cruzam conosco 3 outras. Cumprimentamos ao longe quando lembro que estas estão viajando. As 3 estão no exterior e, não sei como, estavam ali, bem na minha frente.
Passado o momento estranho, me vejo falando ao telefone com uma ex paquera que, não sei como, estava na Europa, no momento em que falava comigo. Digo que não sei como pois ela já voltou, se encontra entre nós. Mas ali estava eu, conversando sobre detalhes de sua viagem que estava acontecendo no momento. Sim, é óbvio, algo estava errado. Passei o telefone para quem me acompanhava, e ambas conversaram com esta que no passado se encontrava. Estranho, mas sim, estava acontecendo. Genial.
Mais alguns passos além, me defronto, felizmente, com uma guria que, infelizmente, não está mais entre nós. Começamos a conversar quando me dou por conta do que estava acontecendo. Falo para ela da impossibilidade de isto estar ocorrendo devido a sua morte prematura. E, como que um estalo, tudo se junta na minha mente. A garota percebe o que aconteceu também. Estava ela ali, não sei como, nem porque, falando comigo como se estivesse alguns dias antes de falecer – até um pouco bronzeada, pela viagem que estava fazendo antes do ocorrido – na PUC. Estava eu tendo contato com o passado. Estava eu me comunicando com o impossível.
Em poucos segundos, se tanto, ela estava envolta aos meus braços.
Acordo confuso, sem saber o que está acontecendo. O travesseiro na mesma posição que a garota se encontrava. Algumas lágrimas escorrendo. A mente processando centenas de informações simultaneamente de modo que eu fico cada vez mais confuso. O que está acontecendo? O que foi isso? Não entendo, ainda estou abraçando um travesseiro com lágrimas escorrendo à face.
Fico meia hora processando as informações. Levanto. 5h00min, exatamente. Pego o primeiro pedaço de papel que vejo pela frente e começo a escrever a experiência o mais detalhadamente que consigo. Missão impossível. Como explicar o impossível? Como entender o improvável?
Me esforço, escrevo o que consigo, mas sei que o relato está bem pobre. O que aconteceu nunca sairá de minha cabeça do modo exato. Impossível explicar, impossível colocar em palavras.
Coloco meu calção e uma camisa de esportes. 5h25min. Saio de casa com o intuito de caminhar até clarear o dia – o sono não está presente e preciso silenciar meus pensamentos. Em pouco tempo me pego correndo com energia que não me lembro de ter nem quando treinava diariamente. Meia horinha de corrida enquanto algumas pequenas gotas de suor substituem as lágrimas.
Hora do banho. Entro no banheiro. As lágrimas voltam, agora se misturando com o suor. O impossível aconteceu. Me comuniquei com o passado, mesmo que eu arrisque dizer que foi sonho. O sentimento está ali, aconteceu. ‘’Provem que não’’, grito eu para mim mesmo mentalmente, tentando silenciar minhas partes que tentavam racionalizar o ocorrido.
9h31min. Estou eu aqui escrevendo para mim mesmo um texto que, imagino, poucas pessoas vão ler. Dessas quais, menos ainda vão entender. Uma semana que se iniciou como nunca antes havia iniciado. Uma segunda tipicamente diferente.
Abraço
Ricardo Colatto
Eu sei do que se trata, na realidade, eu sei de quem e do que tu ta falando. Não sei o que te aconteceu, mas sei sobre quem foi. Tu sabe que mesmo a gente tando distantes agora, somos irmãos até o fim. Lembranças boas e pensamentos bons, é isso que eu sei que tu guarda, que todos guardamos.
Talvez esse seja o amor a que eu me referia.
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